Turismo de Negócios de BH

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NOVO PRESIDENTE DA BELOTUR PLANEJA CRIAR COM RIO E SÃO PAULO CIRCUITO SUDESTE

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Acostumado a comandar a produção de grandes espetáculos e ter sob controle equipes que compreendem e atendem de filigranas jurídicas a pedidos esdrúxulos de artistas, o empresário Aluizer Malab assumiu um desafio diferente e único: a presidência da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur). A seu favor o novo gestor tem um extenso currículo que inclui entre outros, a proeza de trazer para a Capital um seleto time de artistas internacionais como Elton John, Beyoncé, David Guetta, Iron Maiden, Robert Plant, Fatboy Slim e Paramore. Já em nível nacional, Malab promoveu a reunião de importantes bandas brasileiras como Legião Urbana, Os Mutantes e o espetáculo Flausino e Sideral cantando Cazuza. Além de shows, também constam no portfólio de sua produtora os festivais: Creamfields, Festival Internacional de Teatro de Palco e Rua (FIT), NET Claro Festival e Festival Sociabilização, Arte e Cultura na Infância (Saci).

Ao encarar os desafios de uma administração que promete responsabilidade e rigidez com os gastos públicos, além de um orçamento bastante restrito, ele se vale dos conhecimentos adquiridos nas faculdades administração de empresas e ciências econômicas e especialização em gestão cultural, que cursou em Belo Horizonte, além de cursos nas áreas de marketing e produção cultural. “Produtor ­ que é o que sou, na verdade ­ é um grande fazedor. Somos movidos por projetos e as condições nunca são as melhores. O exercício de vida que tem um produtor me deu musculatura para desafios”, avalia Malab, que após mais uma reunião para estabelecer a estrutura para o Carnaval, dessa vez com o comando da Polícia Militar, recebeu o DIÁRIO DO COMÉRCIO para uma entrevista exclusiva.

Como um produtor cultural, acostumado a tomar decisões rápidas e ter o controle da situação nas mãos, encara o desafio de ser um gestor público, lidando com as amarras naturais do setor e a escassez de recursos?

A lógica de pensamento não é tão distante pra mim. Em tudo o que fiz ao longo desses anos, sempre busquei algo que, de alguma forma, ampliasse a zona de interesse através de uma promoção do local. No caso de Belo Horizonte, que concentra a maior parte do que fiz, sempre tudo foi muito ligado à escolha de local, ao patrimônio, à forma acolhedora de receber os artistas, de apresentar a cidade. Hoje, preciso ressignificar o sentido da empresa, da Belotur, em como podemos ajudar a potencializar a cidade do ponto de vista da geração de emprego e renda e de qual cidade queremos promover. Temos que compor um projeto de promoção, de movimento dessa atividade que faça sentido para a nova gestão da cidade. A gente aprende muito ao realizar sem os recursos necessários e isso, talvez, seja um ponto positivo para trazer para o poder público. Hoje em dia, o Estado, de uma forma geral, não consegue financiar com recursos próprios todas as suas atividades. Então temos que usar de criatividade, de metodologia, para conseguir viabilizar os nossos projetos.

A sua indicação foi comemorada por ser de um técnico, alguém que trabalha no setor há muitos anos e não ser a indicação de um político. Por outro lado, sabemos que a situação financeira do município não é nada boa. Como trabalhar nesse cenário de expectativa e restrição?

Precisamos buscar técnicos, pessoas qualificadas para desenvolver projetos. Precisamos ter uma melhor taxa de conversão do dinheiro investido. Quando o foco é esse você tem mais chance de alcançar o sucesso. O que mais queremos, para além de nós mesmos, é envolver ao máximo essa equipe do governo para que juntos possamos construir um calendário único da cidade. Vamos estimular o trade para conseguir proporcionar melhores experiências para o turismo. Como uma empresa mista, trabalhamos com um orçamento de custeio, não de investimento. Mas podemos qualificar a equipe para conseguir potencializar a entrega e temos potencial de captação de recursos junto às iniciativas pública e privada. O que é pertinente para nós é desenvolver bons projetos e buscar incremento para o nosso orçamento junto aos parceiros.

O senhor assumiu a Empresa às vésperas do Carnaval, talvez o evento de maior visibilidade com a chancela da Belotur. O que podemos esperar desse evento?

De fato, não só eu, mas a nova gestão municipal, assumiu já com o Carnaval planejado, com as ações em andamento. Já entramos com algumas ações, mas o primeiro grande evento, midiático, é o Carnaval. Nosso papel é potencializar a cidade como destino de Carnaval. Temos características próprias e as pessoas já falam e escolhem BH como destino e mais belohorizontinos têm ficado na cidade. Isso já impacta alguns destinos tradicionais de Carnaval no interior. Os números são muito interessantes: estimativa de público, de blocos desfilando, por exemplo. O cadastro de ambulantes é uma coisa impressionante. A expectativa da rede hoteleira. Os dados econômicos do Carnaval têm sinalização boa e a qualidade das apresentações tem melhorado, os blocos estão se esmerando, alguns já conseguem sobreviver durante o ano das próprias atividades. Além dos dias de festa, tem gente trabalhando ao longo do ano para atender o evento. Isso é muito positivo.

Quais projetos, novos ou antigos, da Belotur merecem destaque do novo presidente?

Vou responder de uma forma diferente. Já existe um calendário de eventos na cidade e estamos fazendo um diagnóstico para saber tudo o que temos, tanto na esfera pública, quanto privada, e como podemos construir o projeto dessa gestão, trabalhando em prol do turismo da Capital. Vamos estimular as áreas que percebermos de carência. Nosso interesse é trabalhar do design ao meio ambiente, da cultura ao esporte, da maneira mais plural possível, para que a gente possa atrair e ofertar, para que exista um movimento permanente na cidade. Sendo prático: temos Belo Horizonte e o seu entorno. Queremos vender o destino e trabalhar todos os ativos do entorno. Podemos trabalhar o turismo de natureza, o esporte, a gastronomia, o lado cultural, por exemplo. O que precisamos é mapear esses grandes ícones de todas as áreas potencializando a nossa vocação natural. Temos que ter métrica, parâmetros, dados. Hoje em dia, é preciso ter boas taxas de conversão de investimento. Otimizar é uma tônica nossa porque são recursos do Estado, dinheiro da população.

A crise da hotelaria de Belo Horizonte é muito séria. O trade também se recente de um espaço para grandes eventos e o Centro de Convenções do Município, que seria construído na avenida Cristiano Machado, está emperrado. O que a Belotur pode fazer sobre essas duas demandas?

Vamos preencher um calendário de atividades, de eventos, porque estamos buscando ocupação para os hotéis. O que faremos é estreitar as relações com todo o trade. Essa questão do centro de eventos, entendemos que temos essa carência e vamos fazer de tudo para deixar essa luz acessa e trabalhar para concretizar esse projeto. Vamos levar isso ao prefeito Alexandre Kalil como um ideal de proposta.

Belo Horizonte está envolvida em alguns projetos de internacionalização como o “Internacionaliza BH”, conduzido pela Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas) e Fundação Municipal de Cultura (FMC) e o “BH aos Olhos do Mundo”, capitaneado pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL­BH) e o Belo Horizonte Convention & Visitors Bureau (BHC&VB). Como a Belotur se integra a esses projetos?

O que devemos fazer é somar esforços. Não tem jeito de pensar uma capital como Belo Horizonte com um turismo acanhado, regional, temos que pensar para o mundo. A internacionalização se faz necessária. Temos que somar esforços com os programas que estão sendo desenvolvidos, buscar parcerias através dos consulados. Do ponto de vista executivo, agora com a Pampulha (reconhecida como Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura ­ Unesco, em julho do ano passado) temos muito o que fazer. É muito do comportamento do turista internacional, buscar patrimônios que tenham a chancela da Organização Mundial do Turismo. Entender de que forma podemos nos tornar um destino do mundo. Nos aproximar de Rio e São Paulo criando um circuito Sudeste. Já começamos esse trabalho com o Rio e também estamos buscando alinhar com São Paulo.

O reconhecimento da Pampulha como Patrimônio Cultural da Humanidade foi extremamente comemorado mas ainda não se converteu em movimento turístico. Os hotéis da região amargam taxas que beiram a inviabilidade do negócio. O que pode ser feito para que o atrativo se efetive?

O título é uma grande chancela para o desenvolvimento de um projeto, mas só o reconhecimento não melhora a situação. Precisamos, como hub, ligar com outros patrimônios como Diamantina, por exemplo, para potencializar o Conjunto Arquitetônico. A Pampulha merece um esforço especialmente voltado para difundir o seu patrimônio.

Como mostrar Belo Horizonte como uma cidade capaz de atender diferentes públicos?

O destino é Belo Horizonte, que contempla todos os atrativos que estão no entorno, como Inhotim, Ouro Preto, as serras, o circuito cervejeiro, por exemplo. Vamos mudar essa linha de que o nosso turismo é mais estático. Precisamos mostrar o que temos. Temos que promover as nossas peculiaridades, nossas festas, o que só acontece aqui. Do outro lado o turismo de negócios continua acontecendo. Somos competitivos e precisamos mostrar isso, promovendo e ofertando nossos diferenciais. Aqui tem oportunidade para todo mundo, aqui é plural. Precisamos nos preocupar com a questão da experiência, para isso devemos entregar bons serviços e isso depende de qualificação. Ninguém sabe, por exemplo, que temos um dos serviços de taxi mais bem avaliados da América do Sul por anos seguidos. Contamos com as entidades nesse esforço, todos precisam melhorar suas entregas e trabalhar a divulgação.

Fonte: Diário do Comércio

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